{"id":1278,"date":"2023-03-21T20:46:10","date_gmt":"2023-03-21T20:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/?p=1278"},"modified":"2023-03-24T11:57:51","modified_gmt":"2023-03-24T11:57:51","slug":"o-crime-compensa-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/o-crime-compensa-2014\/","title":{"rendered":"O Crime Compensa &#8211; 2014"},"content":{"rendered":"<h2>Publicado em A Gazeta, p. 16, em 03 de junho 2016<\/h2>\n<p><\/p>\n<p>A cada dia tem-se mais certeza de que a velha m\u00e1xima \u201c<i>o crime n\u00e3o compensa<\/i>\u201d deixou de ser uma verdade absoluta. Infelizmente, a atividade criminal no Brasil tem se tornado um bom neg\u00f3cio lucrativo, com baixos riscos. Diante do caos social que vislumbramos em nosso quotidiano, em que mais e mais pessoas se apropriam da fun\u00e7\u00e3o estatal de promover a justi\u00e7a e, com as pr\u00f3prias m\u00e3os, fazem sua justi\u00e7a paralela, chega-se \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: o sistema repressivo\/punitivo faliu.<\/p>\n<p>Basta olhar para os notici\u00e1rios e perceber a ocorr\u00eancia reiterada de casos de pessoas acusadas dos mais diversos crimes (as vezes inocentes) que s\u00e3o amarradas a postes e torturadas, \u00e0 luz do dia, numa verdadeira barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Na obra \u201cVigiar e punir\u201d, publicada em 1975 e totalmente atinente aos dias atuais, Michel Foucault sustenta que <i>\u201ca certeza de ser punido \u00e9 que deve desviar o homem do crime\u201d.<\/i><\/p>\n<p>O crime compensa, eis que a vis\u00e3o que se concebeu \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o penal e processual penal engessa a possibilidade de um efetivo cumprimento da reprimenda estatal. Percebemos uma esp\u00e9cie de \u201cgarantismo jabuticaba\u201d, algo tipicamente brasileiro, visto com frequ\u00eancia em decis\u00f5es de nossos Tribunais, com interpreta\u00e7\u00f5es distorcidas, sempre numa busca fren\u00e9tica de se tutelar o \u201cintutel\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, est\u00e1 na moda ser taxado de garantista. Contudo, \u00e9 preciso destacar que devemos todos defender os direitos fundamentais previstos no ordenamento jur\u00eddico, sem que para isso seja preciso construir uma linha obtusa na interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n<p>O atual sistema estatal encontra-se falido e para chegar a essa conclus\u00e3o basta que os legisladores e operadores do direito se desencastelem e olhem, ainda que superficialmente, por sobre os muros, atrav\u00e9s das janelas de seus pal\u00e1cios. A sociedade est\u00e1 em consider\u00e1vel processo de regress\u00e3o, que poder\u00e1 chegar \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a privada, do \u201colho por olho, dente por dente\u201d.<\/p>\n<p>Juntamente a uma mudan\u00e7a de paradigma na interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do Direito, torna-se urgente um repensar de todo o sistema, em especial, da constru\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n<p>A sociedade est\u00e1 pr\u00f3xima ao colapso diante da crescente onda de vingan\u00e7a privada. \u00c9 preciso que os legisladores e os operadores do direito se aproximem da realidade e tracem uma estrat\u00e9gia de reconstru\u00e7\u00e3o do sistema, pois \u00e9 visivelmente percept\u00edvel que o modelo atual n\u00e3o mais atende \u00e0s necessidades contempor\u00e2neas aptas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>RODRIGO MONTEIRO<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>Promotor de Justi\u00e7a; Mestre em Direito<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1279 size-full\" src=\"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/images-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\"><\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Imagem pode conter direitos autorais <\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem pode conter direito autorais.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1279,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[78],"tags":[76],"class_list":["post-1278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-jornal","tag-rodrigo-monteiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1278"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1346,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1278\/revisions\/1346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodrigomonteiro.pro.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}